top of page

Seria possível um prédio falar?

Com os atuais acontecimentos da história, como guerras, golpes, tentativas de golpes, rompimento / reestabelecimento de relações diplomáticas com regimes autoritários, questionamento de processos eleitorais e até mesmo guerras civis, nós (simples cidadãos, pagadores de impostos), ficamos com a sensação de que a organização social em que vivemos, está em perigo.


Acredito que como cidadãos, devemos fiscalizar as instituições que fazem parte da democracia. Porem, longe de ser “Poliano”, também acredito que podemos “jogar luz”, sobre boas inciativas, que, mesmo indiretamente, fortalecem a democracia e as relações sociais.


Recentemente, em uma entrevista da Patrícia Santos Cruz, (do Todos pela Educação), concedida à jornalista Sonia Raci ao Estadão, a Patrícia comentou que “infelizmente, as boas ações em pró da educação, levam tempo para dar resultado, e consequentemente, os políticos (que precisam de votos no curto prazo), não tem estímulos para implementá-las”. Isso me fez pensar no papel “ativo” que temos, como “influenciadores” dos legisladores e administradores públicos.


Não sou cientista político, então busquei (dentro da área de mobiliário corporativo), exemplos no poder público, que estimulam o exercício da cidadania. Encontrei um exemplo em especial, realizado pela prefeitura da cidade Belga de Bruxelas. Achei o projeto interessante, pois se alinha à crença da Opusflex, de que o mobiliário bem planejado, influencia a dinâmica do trabalho.


Quando pensamos em mobiliário para prefeituras, a premissa básica sempre é o de “melhorar o atendimento aos munícipes” (todos os projetos que realizei para prefeituras, foram assim), o que faz muito sentido, afinal, todas as atividades de uma prefeitura, são em sua essência, voltadas ao munícipe. Desde a recepção, protocolo, e diversos departamentos como fisco, finanças, planejamento, e até atividades de suporte, como RH, compras, arquivo, em última análise, tem como função final, atender os moradores da cidade.


Mas, e se acrescentarmos algumas “camadas” ao projeto, como transparência, democracia, cidadania, fazendo com que o espaço deixe de ser apenas um local “para resolver questões burocráticas”?


E se, além de ser “sede da prefeitura”, o prédio ser um convite a participarmos da democracia?


Sob o slogan: “Bem vindo a casa”, a proposta da prefeitura de Bruxelas, foi incentivar o uso do prédio não somente por aqueles que cumprem expediente no local, ou visitam para resolver questões burocráticas, mas também por associações, entidades de classe e até estudantes, realizando reuniões, debates, estudos e consultas públicas.





O tradicional parlamento (com púlpitos rebuscados e palcos elevados) foi substituído por grandes mesas redondas de convenções, abolindo a tradicional “hierarquia” imposta pelo desenho tradicional dos parlamentos. Assim, com esse tipo de mobiliário, é possível incentivar o debate de iguais, harmonizando os princípios democráticos com um mobiliário de design minimalista.





O edifício conta ainda, com uma impressionante fachada de vidro, representando a transparência com a coisa pública.





O prédio mantem a sua principal função de abrigar os 1.700 servidores, porem, áreas de uso compartilhado, como o restaurante, e o pátio da cobertura com vista panorâmica da cidade de Bruxelas, são abertos ao público, reforçando a ideia da participação popular.





Os responsáveis pelo design dos móveis aplicaram os princípios da democracia na concepção de todo o projeto, em especial à plenária, que composta por mesas semicirculares, incentiva o debate, permitindo que a palavra de todos os membros tenha o mesmo “peso”.





Uma parte importante do processo democrático, é o acesso ao público, e neste plenário não foi diferente. A galeria, conta com grande número de assentos, todos muito bem sinalizados. Foi dada especial atenção à acústica, para que todos os participantes possam ouvir e ser ouvidos. O objetivo, segundo a prefeitura, é que os cidadãos Belgas possam acompanhar as reuniões e os processos decisórios, em sua totalidade.


O aspecto tecnológico, como por exemplo, as reuniões transmitidas ao vivo pela internet, são favorecidas pela iluminação natural abundante, graças à grande área envidraçada do prédio, que além da sensação de transparência, cria um ambiente agradável.


O projeto do mobiliário, pensado para criar ambientes multiusos, personalizados de acordo com as necessidades, favorecem encontros entre setores.


A sustentabilidade está presente no prédio, visto que o projeto foi concebido de acordo com os requisitos da “Green Public Procurement”. A construção faz uso de materiais que atendem a FSC (certificação para madeiras reflorestadas e de manejo sustentável), bem como, emprega materiais reciclados, e ou, recicláveis na sua construção.


Buscou-se a redução do consumo de energia, sempre priorizando a saúde e bem estar dos usuários do prédio. Também foi dada prioridade para a compra de materiais com empresas locais, reduzindo o uso de transporte, colaborando para redução das emissões de carbono, além de fomentar a economia local.


Enfim, espero que este projeto possa inspirar ou mesmo, “emitir” um sinal positivo para legisladores e administradores públicos, mostrando que a arquitetura e o mobiliário corporativo, podem ser utilizados para “comunicar” valores, conceitos, e o mais importante, deixar um legado para a sociedade, muito maior que um mandato.


Você poderá encontrar a postagem original no site da Wilhhahn

11 visualizações0 comentário
bottom of page