Coconut, uma história de mais de 60 anos


Se algum designer lhe contasse que teve a ideia de projetar um móvel que se parecesse com um pedaço de casca de coco, você provavelmente pensaria que a ideia não teria futuro, certo? Pois a poltrona Coconut, criada em 1955 pelo arquiteto e designer americano George Nelson (1908-1986), não só fez bonito como se tornou um clássico do último século.

Liberdade é a palavra-chave no design da peça: na ausência de uma composição regular de assento e encosto (aqui substituída por uma concha que mescla contornos arredondados e pontas agudas), a Coconut permitia que o usuário sentasse como bem quisesse, uma ousadia para a época.

Seu caráter escultórico – uma concha pesada, de alto impacto visual, que parece flutuar sobre a levíssima estrutura metálica – era perfeito para os espaços amplos e sem paredes das novas casas modernistas que surgiam na América do pós-Guerra. Afinal, nesse contexto, uma cadeira que fosse agradável aos olhos a partir de qualquer ângulo era mais do que bem-vinda.

Para além da forma, a funcionalidade: Nelson acreditava que esta deveria ser a condição básica do design, e não um diferencial. Na Coconut, funcionalidade significa conforto extremo. A terceira ponta da concha, que forma o encosto, é um pouco mais alongada do que as outras duas, o que faz toda a diferença. A estrutura (originalmente de folha de aço e hoje feita com plástico tecnológico) é estofada por um monobloco de espuma emborrachada e, então, revestida de couro macio.

Olhando agora, é fácil notar que a proposta bem-humorada da poltrona estava em sintonia com o lifestyle espontâneo das décadas seguintes, principalmente os anos 1960 e 1970. Nelson antecipou o zeitgeist e inovou mais uma vez com a criação desta peça, que reflete perfeitamente uma de suas frases mais conhecidas: “Design total não é nada mais ou menos que um processo de relacionar tudo a tudo”.

Matéria extraída da revista Casa Vogue em 21/08/2015


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